Emily Giffin é uma das autoras que eu sempre tive curiosidade em ler, especialmente por ouvir tantos comentários positivos sobre sua narrativa, seus personagens e suas histórias. Quando vi seu livro Questões do Coração no sebo por R$:5, eu o trouxe para casa sem pensar duas vezes e nem ler a sinopse direito. 

Autora: Emily Giffin
Editora: Novo Conceito
Páginas: 440
Ano: 2011
Nota: 4/5

A história começa com o jantar de aniversário de casamento de Tessa e Nick, quando seu marido, que é um renomado cirurgião pediatra, é chamado para uma emergência e tem que sair correndo do restaurante. A criança em questão é Charlie, filho de Valerie, uma advogada e mãe solteira que exclui todos de sua vida, seja relações amorosas ou simples amizades.  

Embora Tessa confie de olhos fechados em seu marido e sempre tenha entendido muito bem que a profissão dele exigia sacríficos, ela começa a ficar desconfiada com o distanciamento dele, a falta de intimidade dos dois e a falta de um carinho especial que parece ter sumido desde o momento em que ela decidiu abandonar sua carreira, ter mais um filho e ser mãe em tempo integral.

A situação do casamento de Tessa se agrava quando Nick, Valerie e Charlie parecem se aproximar ainda mais, mesmo sem ela saber disso. Charlie começa a ver em Nick o pai que nunca teve a chance de conhecer, e Valerie começa a vê-lo como um porto seguro em meio a tempestade em que vive sozinha.



A narrativa da história, que é leve e fluída, é alternada entre o ponto de vista de Tessa, narrado em primeira pessoa pela mesma, e o ponto de vista de Valerie, que é narrado em terceira pessoa.  Eu gostei bastante dessa forma de contar a história, pois dá para ver o ponto de vista de ambos os lados. 

Os personagens são muito bem construídos e reais. Tessa é uma mulher inteligente e forte, mas que decidiu abandonar seu emprego como professora para cuidar das crianças quando teve seu último filho, mesmo com todos os avisos de sua mãe afirmando que seu casamento acabaria se ela fizesse isso. Obviamente ela não deu ouvidos, pois Nick sempre demonstrou apaixonado pela esposa e a família que construiu. No entanto o casamento deles vai ficando cada vez mais frio, sem o amor e paixão que antes pareciam esbanjar. 

Valerie é uma mãe solteira e uma advogada bem sucedida, mas quando seu filho de 6 anos sofre um acidente em uma fogueira na casa de um coleguinha, suas estruturas se abalam. E mesmo com uma forte regra de não deixar as pessoas entrarem em sua vida e bagunçarem tudo, ela permite que Nick comece a criar laços.



Confesso que em muitos momentos da história eu não sabia de quem ficar com raiva e de quem ficar do lado. Pois é isso que a autora faz: ela nos mostra que ninguém é inteiramente bonzinho ou mau. As pessoas tem seus nuances, e assim como elas, seus relacionamentos funcionam da mesma forma. O casamento de Tessa e Nick está em crise - mas não há um grande vilão, pois cada um tem sua parcela de culpa. 

A história tem um desenrolar bem natural e interessante e, embora o livro seja grande (440 páginas) , eu realmente não achei que foi tedioso ou monótono. Os acontecimentos foram se desenrolando devagar de uma maneira que foi mostrado como determinadas coisas simplesmente acontecem, não por um erro de um só, mas uma sucessão de más decisões, determinadas coisas não acontecem do dia para a noite e sem motivação, mas tudo tem um começo, um ponto de partida. Na verdade, acredito que esse tenha sido o ponto chave do livro: nada é apressado ou forçado. 

Pensei em como casa pessoa em um casamento deve à outra a procura pela felicidade individual, mesmo em uma vida compartilhada. Que essa é a única maneira de crescerem juntas, e não separadas. 

Além disso, os personagens tem um crescimento e amadurecimento muito grande na história, e ela nos consegue passar boas lições sobre o amor, sobre casamento, amizades e desenvolvimento pessoal (mas nada em um nível de autoajuda, prometo). A história e os personagens são muito bem trabalhados, e o final é bem real. 

Minha nota 4 se deve ao fato de eu ter odiado muitos acontecimentos, ter odiado bastante o Nick e ter achado que algumas coisas poderiam ter acontecido de uma forma diferente. Também faltou um ingrediente a mais no livro para me prender e emocionar, para me deixar com as emoções a flor da pele, como o enredo parecia prometer, o livro foi uma boa leitura, me prendeu, me conquistou, ensinou, mas foi morno. 

As fotos usadas nessa resenha são de minha autoria, caso você queira usa-las entre em contato comigo para a permissão. 

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